quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

PORTUGAL... PORQUE TE FAZEM TANTO MAL?

Passam hoje 104 anos sobre o assassinato hediondo de Sua Majestade El-Rei D. Carlos I e de seu filho, o Príncipe Herdeiro D. Luiz Filipe, planeado pela Maçonaria Republicana e executado pela Carbonária, através dos assassinos Manuel Buíça e Alfredo Costa.
Foi no dia 01 de Fevereiro de 1908 que Portugal foi gravemente ferido pela insanidade de alguns dos seus filhos... não pensem que iria chamar de 'ilustres' a tão execráveis assassinos. Os crepes de luto ainda hoje têm uma razão para serem expostos, uma vez que, mais de cem anos após este crime sem nexo, continuam os sequazes seguidores das ideias retiradas da Revolução Francesa fazem 'gala' em cantar hinos de louvor e glória pela morte de dois homens bons, cujo único crime foi o não serem adeptos das cliques Maçónicas ou da Carbonária.
Não se pensará que as acusações são infundadas, apesar de ter havido, da parte das instituições implicadas no crime, toda uma operação de limpeza de ficheiros, para que o assassinato não viesse a incriminar algumas figuras ligadas às mesmas Maçomaria e Carbonária. E e desfaçatez levou a que Aquilino Ribeiro até viesse a ser sepultado no Panteão Nacional, em detrimento de outros que o mereceram mais que o 'Malhadinhas'.
 Para que conste, foi lançado  um rigoroso inquérito aos acontecimentos, primeiro presidido pelos juízes Alves Ferreira  e depois por José da Silva Monteiro e dr. Almeida de Azevedo, que ao longo dos dois anos seguintes veio a apurar que o atentado, fora cometido por membros da Carbonária, com a finalidade de  enfraquecer a Monarquia.
O processo de investigação ficou concluído nas vésperas do 5 de Outubro, e o começo do processo judicial foi marcado para 25 do mesmo mês. Tinham sido  descobertos, entretanto, mais suspeitos do assassinato,  como é o exemplo de Alberto Costa, Aquilino Ribeiro, Virgílio de Sá, Domingos Fernandes e outros.
Alguns destes elementos estavam refugiados no Brasil e em França, e dois, pelo menos, foram mortos pela Carbonária, para eliminar testemunhas mais capazes de constituir perigo. No entanto, todo este esforço acabou por ser em vão, pois logo a seguir à  Proclamação da República, o Juiz Almeida e Azevedo entregou o referido processo ao Dr. José Barbosa, membro do Governo provisório, que o levou a Afonso Costa, Ministro da Justiça do Governo Provisório, e depois disso perdeu-se o rasto ao documento. Sabe-se que D. Manuel II, no exílio, recebeu uma cópia, facultada por um dos juízes, Almeida de Azevedo, mas essa também desapareceu em consequência de um roubo à sua residência ocorrido pouco tempo antes da sua morte, em 1932.
Apetece perguntar: QUEM TEVE INTERESSE NESTE ASSALTO ? A QUEM O PROCESSO INCRIMINAVA MAIS?
Dos factos conhecidos não se considera geralmente o assassínio do Rei como a execução de qualquer decisão vinda dos republicanos, dos maçons ou da dissidência progressista, enquanto grupos. O que não diminui a sua quota parte de responsabilidade no crime. Até admitiram como hipótese eventual o assassinato e não lhes importou que este acontecesse. Se os regicidas actuassem por sua própria iniciativa, estavam nessa posição pela iniciativa daqueles que os mobilizaram e armaram para outros fins.
O certo é que os dois assassinos, abatidos no local, não foram  os únicos ali presentes, nem os únicos implicados, como na altura se pretendeu fazer crer . Há estudos que  vieram fazer luz quanto aos responsáveis e à sua motivação, embora muito ainda esteja envolto em dúvida. Quatro autores servem de base principal para os factos  apurarados: Raúl Brandão, António de Albuquerque, Aquilino Ribeiro  e José Maria Nunes. Destes, os dois primeiros não estiveram envolvidos no atentado, tendo recolhido depoimentos de terceiros. Raul Brandão falou com várias pessoas próximas à trama, e extraiu do líder dos dissidentes, José Maria Alpoim, a confissão: “Só há duas pessoas em Portugal que sabem tudo, eu e outra(...) Só eu e outro sabemos em que casa foi a reunião, quem a presidiu e quem trocou ao Buíça o revólver pela carabina.” António da Albuquerque, que se havia exilado em Espanha após a publicação do seu romance difamatório para a família real "O Marquês da Bacalhoa", recebeu o testemunho de Fabrício de Lemos, um dos regicidas presentes no Terreiro do Paço, e transcreveu-o no seu livro "A execução do Rei Carlos". Aquilino Ribeiro, embora não tenha participado directamente, esteve envolvido e conhecia o plano e os assassinos, como deixou testemunho na sua obra "Um escritor confessa-se." José Maria Nunes era também um dos regicidas e deixou o seu testemunho, tendencialmente auto elogioso mas no geral credível, no escrito: "E para quê?"
Destes quatro testemunhos, só Aquilino  refere que o plano de emboscar a Família Real tinha sido adoptado na ocasião, derivado do plano de assassinar João Franco, e tomado no local. Do testemunho dos outros pode-se presumir que o plano teve lugar algures em fins de 1907. Nesta altura, José Maria Alpoim associa-se à Carbonária o que leva, consecutiva e complementarmente, a um plano de aquisição de armas, o plano para um levantamento revolucionário, um plano para assassinar o primeiro ministro e outro para assassinar o Rei.
Estes planos, segundo o testemunho de José Maria Nunes, teria sido abordado pela primeira vez em Paris, no Hotel Brébant, no Boulevar Poissóniere, entre 2 políticos portugueses e alguns revolucionários franceses. O regicida não nomeia esses políticos, nem nunca se foi capaz de identificá-los, mas os revolucionários franceses provavelmente pertenceriam ao movimento anarquista internacional, dado que o embaixador português em Paris chegou a avisar que se preparava um plano contra a família real portuguesa vindo desses sectores.
Os Dissidentes foram os principais financiadores, tendo a Carbonária fornecido os homens. Sabe-se que as armas usadas no regicídio foram levantadas do armeiro Gonçalo Heitor Freire (republicano e maçon) pelo Visconde da Ribeira Brava, um dos principais membros dos dissidentes.
Hoje, como ontem, os republicanos continuam a 'assassinar' o carácter dos verdadeiros Patriotas... sejam eles Monárquicos ou não, porque Viscondes da Ribeira Brava ainda os há, escondidos na 'Fronteira' da história ou não. Não houve apenas o Miguel de Vasconcelos... "porque traidores, entre os portugueses sempre os houvera". 

domingo, 15 de janeiro de 2012

MÃE... QUE SAUDADES DE TI !!!


eterna é a saudade

Naquele dia, já distante,
que ainda tenho na mente
partistes tão docemente
de uma forma tão pungente...
Fostes sem muito queixume
recordo, passados os anos...
... nem sequer houve azedume
por uma vida de enganos,
que vivestes sem queixume...
Naquele tempo, distante,
vivestes toda para os teus...
...fostes Mãe, Esposa amante,
até que fostes para Deus!
Fiquei orfão tão criança,
mas fui no teu coração...
...tinha em ti tanta esperança,
mas contigo morreu a ilusão!
Tinhas filhos que te amavam,
alguns eram tão pequeninos,
se soubesses como estimavam
que orientasses os seus destinos...
Mas Deus não quiz assim -
queria-te com Ele, na verdade -
e eu, Mãe, pobre de mim,
fiquei preso à tua saudade!
Mas d'aquele dia de Janeiro,
era o 15, vê a ironia,
ficou-me o desejo verdadeiro
de sempre te beijar neste dia!
Todas as flores deste mundo
gostaria agora oferecer-te...
...este é o modo mais profundo
que tenho para agradecer-te
pelo facto de me dares a vida...
...e por isso não posso esquecer-te...
quantas saudades,  Mãe querida!
*
À minha Mãe, no 61º. aniversário
da sua partida para Deus.
Victor Manuel Elias

sábado, 7 de janeiro de 2012

NOVA MORTE DE LUIS DE CAMÕES

Porque estamos no início do ano de todas as desilusões, apraz registar que também a sandinice de alterar a escrita para agradar a fulanos que não fizeram nada para mudar um ~ que pudesse considerar-se enriquecimento linguístico, porque usam uma língua que gostam de chamar "portuguesa" quando não passa de um amontoado de palavras, palavrinhas ou palavrões herdados dos povos que os antecederam, aqui fica o testemunho de quem não tem pejo em dizer o que pensa do ACORDO ORTOGRÁFICO "imposto" pelo Brasil a Portugal:
"Quando eu escrevo a palavra acção, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o C na pretensão de me ensinar a nova grafia.
De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa.
Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim.
São muitos anos de convívio.
Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes CCC's e PPP's me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância.
Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora:  - não te esqueças de mim!
Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí.
E agora as palavras já nem parecem as mesmas.
O que é ser proativo?
Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.
Depois há os intrusos, sobretudo o R, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato.
Caíram hifenes e entraram RRR's que andavam errantes.
É uma união de facto, e  para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem.
Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os EEE's passaram a ser gémeos, nenhum usa ( ^^^) chapéu.
E os meses perderam importância e dignidade; não havia motivo para terem privilégios. Assim, temos  janeiro, fevereiro, março, são tão importantes como peixe, flor, avião.
Não sei se estou a ser suscetível, mas sem P, algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.
As palavras transformam-nos.
Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos.
Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do C não me faça perder a direção, nem me fracione, e nem quero tropeçar em algum objeto.
Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um C a atrapalhar.
Só não percebo porque é que temos que ser NÓS a alterar a escrita, se a LÍNGUA É NOSSA ...? ! ? ! ?
 Os ingleses não o fizeram, os franceses desde 1700 que não mexem na sua língua e porquê nós ?
Ou atão deichemos que os 35 por cento de anal fabetos afroamaricanos fassão com que a nova ortografia imponha se bué depréça !"

sábado, 31 de dezembro de 2011

LEIRIA QUE SEJAS FELIZ em 2012

Não é displicente o facto de se estar a 'falar' de um ano que passa sem deixar marcas que não sejam para olvidar, tal como não se poderá dizer que o ano que finda foi o melhor de um leque de opções que foi necessário contabilizar como positivas - ou negativas - apenas porque nos deram ou não água pela barba... e não estamos muito recetivos a dar de barato que tudo está na paz dos anjos... até porque não sabemos se estes sabem o que isso é.
A mim, por exemplo, o ano de 2011 deixou-me  um sentimento de amor/ódio, primeiro porque me deu reconfortantes reencontros  com pessoas que julguei nunca mais ir vêr, como seja velhos condiscípulos do meu Jardim-Escola de Leiria e a muito querida Professora que tinha a missão de dirigir aquele espaço nos meus tempos de João de Deus, a Dona Maria Eduarda Viana Rodrigues da Costa Santos, que os Anjos acolheram no Cé no dia 12 de Setembro do ano que agora finda.
Quando eu pensava fazer as pazes com a cidade... esta mostra o quanto é efémero tal desejo, porque Leiria ainda não pensa fazer as pazes com os seus filhos, a avaliar pelo modo pouco edificante como ela faz questão de se nos 'apresentar' depois que alguns erros de palmatória foram cometidos na consecução dos projetos do programa POLIS.

Leiria não precisava de quinhentas pontes e 1000 vias pedonais... se para isso se tornava necessário colocar a cidade em risco de catastrófica ruína. Para quê um Estádio magnificente se nem equipa para lá jogar tem? É só para dizer que existe? Não carecia, porque nos tempos do Ateneu já se jogava a bola... e talvez melhor do que agora.
O Largo da Sé está todo a caír! A oficina do Afonso das bicicletas, a antiga Associação de Futebol de Leiria, a Tinturaria Americana, o Freitas chapeleiro, um pouco por todo o lado, para ser mais realista, há mostras de abandono, parecendo que apenas interessa fazer-se 'obra nova' e não deitar as pertinentes 'meias solas' capazes de fazer durar um pouco mais a fisionomia de uma cidade que sempre nos orgulhou.
Depois admiram-se de ser confrontados com os desperdícios que foram feitos ao longo dos anos. Então... não sobrou um cêntimo para comprar uma gambiarra aos chinezes para que pudesse assinalar-se o Natal ou a Passagem do Ano? Em quanto importam os desperdícios que se fizeram em nome do Povo de Leiria? Apurem-se responsabilidades e faça-se pagar aos culpados, sejam eles do Partido Socialista, do PSD ou do CDS/PP. Não podem é ser os Leirienses a pagar a factura de um banquete feito pelos outros em nome da democracia.


Então... talvez 2012 venha a ser um Bom Ano Novo, porque a justiça entre as gentes de Leiria não é palavra vã.  

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

domingo, 11 de dezembro de 2011

Música - "Concerto de Natal"


A Sé de Leiria será palco de mais uma edição do Concerto de Natal, contando com a participação dos seguintes grupos corais: Coro Infantil do Jardim-Escola João de Deus, Viva Voz - Coral da Casa do Povo de Santa Catarina da Serra, Coral das Obras Sociais do Pessoal da Câmara Municipal de Leiria, Coro da Casa do Pessoal do Hospital de Santo André e Coral da Sociedade Artística e Musical dos Pousos.
ENTRADA LIVRE
INF.: 244 839 661

Org.: CMLeiria | Paróquia de Leiria | Grupos corais do Concelho
BOAS FESTAS... FELIZ NATAL... BOM ANO NOVO... BOM CONCERTO!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

JARDIM-ESCOLA JOÃO DE DEUS...

Jardim-Escola de Leiria
"QUANDO NÓS VAMOS, CONTENTES, PARA A ESCOLA A CAMINHAR..." era como se iniciava o primeiro "hino" à Escola que me ensinou as primeiras letras, me deu uma noção da verdadeira amizade, me preparou para a vida... numa altura em que Portugal procurava um caminho que o viesse a tirar da crise que as Guerras Mundiais e Civil de Espanha lhe haviam imposto.
João de Deus
Depois que João de Deus fez nascer a Cartilha Maternal  a que deu nome, o ensino em Portugal trilhou caminhos de mudança, pois havia surgido, finalmente, um método capaz de ajudar as  famílias a promoverem o ensino dos seus filhos. Mas, apesar da fama grangeada, o método da Cartilha Maternal teve grandes adversários - como... ainda hoje terá -,  a julgar pelo que se verificou,  logo após a homenagem nacional que lhe foi prestada  por iniciativa de Joaquim Pedro de Oliveira Martins, quando o Ministério do Reino "decidiu" mandar retirar das salas de aula os quadros da Cartilha.

No dia de ontem, 15 de Novembro,   comemorou-se o falecimento de João de Deus Ramos, fundador dos Jardins-Escolas João de Deus, ocorrido em 1953, vitimado por uma trombose ocorrida quando trabalhava no Museu dedicado a seu pai, o Poeta João de Deus.
<><>
                                 João de Deus Ramos
Julgo que o  jantar de encerramento do centenário da inauguração do 1º. Jardim-Escola de Coimbra, que teve lugar no Centro Cultural de Belém, com a presença do antigo Aluno que é hoje Ministro da Educação, pretendeu-se dizer  mais um "obrigado" do País aos pedagogos nque foram introdutores do método pedagógico, mas também se considera  fundamental ter sido feito em relação aos que desde então se têm dedicado à  missão de aplicar esse método, continuando assim a obra legada pelos "Pais" da Cartilha Maternal e dos Jardins-Escola.
Talvez seja essa uma das facetas mais importantes da realização desse jantar de homenagem, porque quem hoje dedica o seu tempo a dar continuidade à obra de João de Deus, deve estar verdadeiramente imbuído do seu espírito, porque só assim poderá a barca ser levada a bom porto.
É por tal razão que não posso deixar de recordar uma das grandes Educadoras que "passou" pelo Jardim-Escola João de Deus de Leiria. Refiro-me à Dona Maria Eduarda da Costa Santos, a eterna Directora que partiu para o Pai no dia 12 de Setembro de 2011. Estará para sempre na memória daqueles que, como eu, tiveram a dita de com ela aprenderem a ser Homens.
Hoje a sua missão é junto dos Anjos e dos Santos, que muito aproveitarão do seu saber. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

TOURADAS EM LEIRIA...

Não posso deixar de referir que o antigo "Largo do Matadouro" ou do "Quartel 7", que   hoje vemos como o Largo de Infantaria 7 ou de Santo Agostinho, requalificado e embelezado, foi um local onde se chegou a fazer uma espécie de "tourada", porque não havia redondel, como se impunha, podendo dizer-se que era uma "tourada" mesmo que não houvessem touros para correr, que não era o caso..
Na foto acima reproduzida, obtida a partir do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação, podemos ver o escadório, com os obeliscos e o arco, as ruínas da extinta Praça de Touros... e sobre o lado direito está aquele famoso largo que tomou o nome do extinto  Regimento de Infantaria 7, de que se vê a antiga Parada e parte do aquartelamento situado no antigo Convento de Santo Agostinho, cujas torres sineiras da Igreja são bem visíveis.
Pois foi nesse mesmo Largo que, num célebre dia de Agosto, nos meados dos anos 50, a Câmara Municipal, através dos seus Serviços de Higiene e Limpeza,  os Bombeiros e  o Ateneu, além de outros entusiastas,  resolveram  ser tempo  para se organizar uma   "garraiada", "vacada" ou aquilo que lhe queiram chamar, sobre  direcção técnica do  bandarilheiro Agostinho  Santos.
Foram lidados novilhos dos Barbeiros, da Boavista, se podemos dizer que houve lide, uma vez que os "toureiros" de circunstância nem sabiam o que era "lancear o capote", bandarilhar, fazer "revoleras" ou "gaoneras" e quanto ao termo "citar", pensavam que apenas se aplicava  ao acto de se pronunciar uma frase de alguém.
Os "burladeros" não existiam, as barreiras eram tábuas presas a carrocerias de camionetas, os curros estavam situados no Matadouro Municipal.     
Havia "diestros" de grande nome, como o "Nau", o "Fura", o "Meio-Tostão", o Augusto Carvalho, os "Irmãos Pitorro", o "Macareno" e tantos outros "artistas" que até arrepiam, como arrepiou o facto de estar um bicho a ser lidado quando outros  dois resolveram dar uma mãozinha... lançando o pânico entre "toureiros" e assistência.
Para que esse pânico fosse total, arrombaram uma parte da cerca e correram sobre as pessoas, que fugiam espavoridas, cada uma a procurar onde se esconder, fosse debaixo das camionetas fosse em cima de alguma árvore.
As ambulâncias dos Bombeiros andaram de um lado para o outro a transportar os atingidos pelas hastes dos cornupetos, e podem acreditar que o antigo Hospital D. Manuel de Aguiar não teve mãos a medir para socorrer aqueles que, estou certo, nunca mais esquecerão o que foi aquela tentativa de substituição da que foi a Praça de Touros de Leiria.
Nos dias que se seguiram, era vêr os varredores da Câmara agarrados à vassoura a coxear, os ardinas de braço ao peito... e até alguns Soldados que tinham ido aos toiros com as suas sopeiras mostravam que os novilhos, pelo menos esses, sabiam o que lhes era pedido para fazer, que era marrar, mesmo não sabendo os oponentes tourear!  

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA

A Implantação da República Portuguesa foi  corolário lógico de um "golpe de estado"  saído da "insanidade" das gentes do Partido Repúblicano Português que,  no dia 5 de Outubro de 1910, resolveu destituír a Monarquia Constitucional  e implantar um tenebroso regime repúblicano em Portugal, ainda hoje existente. 
O País estava subjugado aos interesses coloniais britânicos e os gastos da Família Real, o poder da Igreja, a instabilidade político/social, o sistema de alternância de dois partidos no poder  - Progressistas e Regeneradores -, a ditadura da João Franco e a aparente incapacidade de acompanhar a evolução dos tempos e se adaptar à modernidade — tudo contribuiu para um inexorável processo de erosão da Monarquia Portuguesa,  do qual os defensores da República, particularmente o Partido Republicano, souberam tirar o melhor proveito, pois  o Partido Republicano apresentava-se como sendo o único com um programa capaz de devolver ao país o prestígio perdido e colocar Portugal na senda do progresso.
Com a "relutância" mostrada pelo Exército em combater os cerca de dois mil soldados e marinheiros revoltosos entre 3 e 4 de Outubro de 1910, a República viu-se proclamada às 9 horas da manhã do dia seguinte da varanda dos Paços do Concelho de Lisboa. Logo após a revolução, um Governo provisório chefiado por Teófilo Braga dirigiu os destinos do país até à aprovação da Constituição de 1911 com que se  iníciou a Primeira República. Entre as várias mudanças, com a implantação da República, foram substituídos os símbolos nacionais: o Hino e a Bandeira.
Mas seria conveniente não esquecer que a República não foi um pratinho de rebuçados colocado à disposição do Zé Povinho. Pena é que os nossos muito amados republicanistas de trazer por casa se esqueçam de dizer tudo aquilo que aconteceu, como as traições, as humilhações, as perseguições, os assassínios.
Não foram apenas as morte de Sidónio Pais, Miguel Bombarda e mais cerca de 80 outros, além do suicídio de Cândido dos Reis, que vieram demonstrar quão tenebroso foi o desiderato de mudar um regime sem que "aos outros" fosse dada a oportunidade de existir, pois a República mostrou medo de que os Monárquicos voltassem a governar.       
Quando fez depender o renascimento nacional do fim da Monarquia, o Partido Republicano conseguiu demarcar-se do Partido Socialista Português, que defendia a colaboração com o regime em troca de regalias para a classe operária, e atraiu em torno de si a simpatia dos descontentes Os bens e propriedades da Igreja foram usurpados e incorporados no Estado. O juramento religioso previsto nos estatutos da Universidade de Coimbra foi abolido, juntamente com outros, e as matrículas no primeiro ano da Faculdade de Teologia foram anuladas, sendo igualmente extintas as cadeiras de Direito Canónico e suprimido o ensino da doutrina cristã. Os feriados religiosos passam a ser dias de trabalho, mantendo-se apenas o Domingo como dia de descanso, por razões laborais. As Forças Armadas foram proibidas de participar em solenidades religiosas. Foram aprovadas leis do divórcio e da família que consideravam o casamento como um "contrato puramente civil".
Alguns Bispos foram perseguidos, expulsos ou suspensos das suas atividades no decurso da laicização. Em reação aos vários decretos antieclesiásticos, os Bispos portugueses lançaram uma Pastoral coletiva para defender a doutrina da igreja, mas a leitura dessa Pastoral  foi proibida pelo Governo. Mesmo assim, alguns prelados continuaram a divulgar o texto, entre eles o Bispo do Porto, D. António Barroso, levando o ministro Afonso Costa a chamá-lo a Lisboa e a destituí-lo das suas funções eclesiásticas.
 Afonso Costa previra  a erradicação do Catolicismo no espaço de três gerações.
A República já fez 100 anos... mas continua o medo da Monarquia a fazer das suas. Os Monárquicos não andam de porta em porta a matar quem não é seu membro! Isso é marca republicana do passado... com evidências no presente porque não sabem o futuro!

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

LEIRIA... é só progresso.

DAS... BANANAS???
.
Já foi no ano passado
que passou... o centenário,
mas tudo se viu mudado,
tudo ficou ao contrário!
.
Para o "POLIS" havia milhões
e o futebol foi contemplado,
 não terão sido  'só dois tostões'
para este "Estádio dourado".
.
Vivia o Povo satisfeito...
...esta  cidade ia melhorar...
...as obras começaram a eito,
para nunca mais acabar! 
Julgou-se que este Municipio
trabalhava noite e dia...
...mas isto foi só no princípio,
para controle de Tesouraria.
.
Veio depois o Europeu
o Estádio teria de mudar...
...tanta coisa que aconteceu,
para agora lá ninguém jogar!
.
Pois uma 'Leirisport' qualquer
disse que o Estádio era seu...
...mandando na Câmara uma mulher,
terá sido ela quem o deu?
Talvez fosse só para gestão...
...para que outra coisa seria?
Ou seria algum 'cambão'
para 'roubarem' a nossa Leiria?
.
Depois fazem um leilão...
...correm com a equipa da cidade...
...ergue-se o mundo do betão, mas...
...recuperar não foi prioridade!
.
Que importam as memórias,
a cidade descaracterizada?
Vão haver sempre as histórias
de uma Leiria arruinada!
.
Que foi feito do teu foral,
tú que fostes de Santa Isabel?
Quem te quiz assim tanto mal
que trocou o mel por fel?
.
Quadras do Leiriense
Victor Elias

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Na época da ditadura...


Na época da ditadura... 

* Podíamos acelerar os  nossos automóveis pelas auto-estradas, muito acima dos 120km/h, sem  haver nenhum risco...  e não éramos multados por  ser apanhados por radares maliciosamente escondidos, apenas...
...não podíamos falar mal do Presidente.

Podíamos comprar armas  e munições à vontade, pois o governo sabia quem era cidadão de bem, quem era bandido e quem era terrorista, apenas...
...não podíamos falar mal do Presidente.


* Podíamos dar piropos à  funcionária, à menina do "guiché", das contas a pagar ou à recepcionista,  sem correr o risco de sermos processados por "assédio sexual" apenas...
...não podíamos falar mal do Presidente.


* Não se usavam  eufemismos  hipócritas para fazer referências a raças (ei! preta boa!) , credos  (esses ratos de sacristia...!) ou preferências sexuais (pisga-te!minha bicha!) e não éramos acusados de  "discriminação" por  tal motivo, apenas...
... não podíamos falar mal do Presidente.
Podíamos tomar a nossa cerveja redentora  no fim do expediente do trabalho, para relaxar e conduzir o nosso  carro para casa, sem o risco de sermos atirados para a vala da  delinquência, sendo então presos...por estarmos  "alcoolizados",  apenas...
...não podíamos falar mal do Presidente.
Podíamos cortar a tal árvore do nosso quintal, que está desde à muito cheia de doenças, sem qualquer medo de que isso constituísse um crime  ambiental, apenas...
... não podíamos falar mal do Presidente.

Podíamos ir a um qualquer bar ou boite, num qualquer bairro da cidade, de carro, de autocarro, de metro,  de bicicleta ou a pé, sem qualquer medo de sermos vítimas de assaltos, sequestros ou assassinatos,  apenas...
...não podíamos falar mal do Presidente.
Hoje, a única coisa que podemos fazer....
...é falar mal dos presidentes, sejam eles políticos, dos partidos, de clubes desportivos, de sociedade financeiras, filantrópicas ou do Euromilhões!
O que é peciso é dizer-se mal... porque hoje estamos em democracia... diz-se por aí!... deve-se falar mal do presidente... apenas porque sim!
Mas que gande m****...!!!

domingo, 4 de setembro de 2011

LEIRIA, MANINHA DO LIS

Muitas vezes parei para pensar naquilo que foi a minha cidade, que era pequenina, mas bonitinha,  acolhedora para todos sem excepção, alegre nas manifestações culturais, solidária nos infortúnios, orgulhosa do seu castelo, feliz pelo seu Rio Lis e tudo aquilo que possa ser possível encontrar-se numa cidade que saltou fora dos seus limites e se tem tornado uma urbe moderna, mas pouco dada a dar-se a conhecer a quem a visita... porque o que é demais angustia - e Leiria perdeu o seu encanto de enamorada do Lis, para se tornar, quando muito, sua maninha - chegando-se ao ponto de os filhos da terra, após uma ausência mais prolongada, descobrirem que não conhecem a cidade que os viu nascer.
Até o pobre desporto do pontapé na bola, que à sua pala viu criar-se um elefante branco chamado Estádio Magalhães Pessoa, tem que ser apreciado na antiga arqui-rival Marinha Grande... que agradece ao Município de Leiria a falta de coragem tida para fazer frente à sua associada Leirisport. Grande Marrazes, que continuas a dar lições de bairrismo, juntamente com o Bairro dos Anjos, nessas coisas de fazer desporto pelo desporto.
Mudou-se o monumento aos Mortos da Grande Guerra lá para as terras do fim do mundo, como é o Largo de Santo Agostinho, desapareceram alguns locais característicos da Leiria de há 50 anos, como a Pensão (Hotel) Central, o Hotel Lis, a Capelinha do Monte, os Armazéns do Tenente Miranda... bem... é melhor não continuar a inumerar aquilo que desapareceu na voragem da modernidade, porque senão nunca mais acaba. Basta dizer assim: LEIRIA FOI DERRUBADA PELO CAMARTELO DA MODERNIDADE, E SOBRE OS ESCOMBROS ERGUERAM UMA NOVA CIDADE.
Têm dúvidas? Se até o castelo mudou de feições, para ali poderem fazer-se saraus, banquetes, recepções... sem medos do fantasma da Rainha Santa, porque é santa e não anda a meter medo a ninguém, nem das princesas mouras que terão ficado encerradas nas profundas cisternas, porque o D. Afonso Henriques procurou bem todos os recantos e... nada encontrou!  

Antigamente havia os campeonatos internacionais de pesca de rio, que traziam a Leiria uma animação inusitada para todos, ficando as equipas estrangeiras maravilhadas com a arte de bem receber do povo da cidade... e não só! No parque da cidade havia as verbenas do Ateneu, torneios de futebol de 5 para animar o Verão, no Carnaval havia todo um colorido nos trajes dos mascarados, enquanto o Grémio, a Assembleia Leiriense, o Ateneu, o Orfeão faziam magníficos bailes de máscaras, para miúdos e graúdos... mas tudo passa e agora são outras coisas a dar alegria ao Zé Povinho, mesmo que não haja muito dinheiro para gastar no 19º. Festival de Gastronomia "ÀS MIL MARAVILHAS", que em boa hora se resolveu integrar nos costumes da cidade.
É um acontecimento que veio com a modernidade, tal como a Feira de Antiguidades, porque a Feira de Maio apenas é herdeira da velha e inesquecível Feira de Março, que tinha lugar num local hoje impossível de utilizar para o mesmo fim, como é o caso do Largo entre o Jardim Luis de Camões e a Rodoviária.
Não é crível passar a pescar-se lagosta e camarão-tigre nas águas do Lis, mas, por aquilo que parece, talvez se consigam pescar uns porcos de uma qualquer suinicultura das que poluem o mesmo rio.
Modernices... dirão alguns! Sacanices, dirão os cidadãos indignados com a lata de uns quantos que não se coibem de poluir para não gastar uns cobres numa já mais que anunciada estação para tratamento dos influentes do martirizado rio que teima em ser enamorado e não irmãozinho da cidade. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

TOUROS EM LEIRIA...


Ao vêr a corrida de touros, que a televisão transmitiu a partir do Campo Pequeno, apresentar João Cerejo, o cavaleiro tauromático natural de Porto de Mós, e porque está próximo o tempo em que, na minha meninice, havia festa brava na então Praça de Touros de Leiria, erguida no início do monte onde pontifica o Santuário de Nossa Srª. da Encarnação, cujas festividades justificavam a realização da tourada, não poderia deixar de manifestar a minha saudade daquele espaço cultural que aprendi a amar e respeitar...
No ano de 1939 acabou destruída, cortando-se pela raíz uma tradição que vinha desde os tempos remotos em que se correram toiros em Leiria, havendo referências a touradas realizadas por toda a região no reinado de D. Duarte, que decorreu entre os anos de 1433 a 1438, não obstante a sua experiência governativa ser muito anterior, pois já então partilhava com o pai – D. João I – a direcção dos destinos do reino.
É conhecido que el-rei D. Duarte se interessou pelos assuntos relacionados com cavalos e toiros sendo até de sua autoria o livro Arte de Bem Cavalgar em Toda a Sela.
Há referências à antiga Praça de Toiros em Leiria, que se inaugurou em 19 de Maio de 1891 e comportava cerca de 4.000 espectadores, tendo sido  erigida por subscrição pública e tendo também pertencido a uma sociedade.
Mais tarde, em 1919, na sequência da degradação da Praça, foi constituída uma comissão  que resolveu recolher fundos para a sua reparação e solicitou aos detentores das acções para que estas fossem cedidas de forma a que as instalações fossem oferecidas ao Hospital D. Manuel de Aguiar, de Leiria, pois passaria a ser explorada por esta instituição, como aliás já acontecia noutras localidades onde as Praças de Toiros já teriam sido doadas às Santas Casas da Misericórdia.
Assim aconteceu, de facto, mas a Praça foi-se degradando  graças à incúria de quem dela deveria cuidar, vindo a Praça de Toiros de Leiria a ser demolida nos anos 60, por falta de iniciativa do poder local para que se efectuassem as devidas reparações de manutenção.
Em criança fui "iniciado" nesta vivência cultural que é a Festa dos Touros e aprendi a respeitar não só os artistas como os touros, que sempre senti serem animais nobres e inteligentes, não merecedores de alguma publicidade que sobre eles tem sido feita em alguma comunicação social. Os touros são princípio e fim de uma tradição que jamais poderá ser trocada pelos espectáculos degradantes daqueles que dizem defender os direitos dos animais... mas defendem uma posição mais política que ética.
Regulamentar as touradas é uma coisa totalmente diferente do acabar com essas mesmas touradas. Pode ser feita a festa sem derramamento de sangue, é verdade, mas tira-se a verdade a essa festa. Há todo um ritual que se perde, se não se encontrar um meio termo para as coisas.
Desde a cerimónia da embolação dos touros até ao primeiro toque do cornetim que anuncia a faena, tudo faz parte de algo digno de ser visto. Nas corridas à antiga portuguesa via no cortejo um repositório histórico impar. Os charameleiros, o neto,  os pagens, os clarins, a azêmola das farpas, os forcados,  os coches com os artistas... tudo era um belo espectáculo para os nossos olhos extasiados.
Cheguei a vêr actuar em Leiria os manos fidalgos da terra  D. Luis e D. José Atayde, o Dr. Fernando Salgueiro e D. Francisco de Mascarenhas, os forcados amadores de Santarém, os magníficos  touros da ganaderia Soler... a animação dos passe dobles tocados pela Banda de Música da dos Pousos... a côr... os risos... a alegria... a vibração... a aficcion... a coragem... o medo... via-se um pouco de tudo  na arena da Praça. No ar estalejavam foguetes, os moços e moças sorriam fora dos muros onde estava escrito SOL/SOMBRA, SOMBRA, SOL,  quando  ouviam os olés com que a assistência vai premiando o trabalho dos artistas durante o desenrolar da faena.
Naquela Praça também vi actuar os matadores Diamantino Viseu, Manuel e António dos Santos, os cavaleiros José Casimiro, João Núncio, Simão da Veiga Júnior ou o Pedro Louceiro, o dietro Chico Mendes, o Curro Romero, os bandarilheiros irmãos Badajoz, o  Bienvenida e tantos outros matadores, cavaleiros, novilheiros, bandarilheiros, forcados... enfim: A FESTA VIVIA-SE EM PLENITUDE!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

ATÉ QUANDO?

Queria tanto não estar a escrever sobre assunto tão angustiante para quem assistiu a toda a gestação e parto da União de Leiria, bem como aos primeiros passos dados neste mundo cão que se chama futebol português. Não se pense ter sido fácil ver definhar, dia a dia, o Sporting Clube Leiriense, a agonia porque passava o Coliponense ou a doença de que padecia o Ateneu, que não era de molde a dar-lhe a morte desportiva, mas  que, por grande infelicidade, o incapacitava para a prática do futebol "a sério"... talvez porque alguns daqueles que lhe podiam mudar o futuro, se o quizessem ter feito, optaram por o deixar entregue às suas recordações, jogando cartas, fazendo pesca de rio, ensinando os putos da cidade a lançar a bola ao cesto... e pouco mais.
Quem viu os grandes derbies em que intervinha o Marrazes,  os duelos com os clubes marinhotos Lisboa e Marinha e Atlético Marinhense, por certo fica de boca à banda com o terem de se deslocar à Marinha Grande para vêr jogar esta criança que se fez adulta e  é bem capaz de ser a última esperança  de que Leiria continuaria a assistir a futebol de qualidade .
Dizia-se que onde o Partido Socialista mete a mão, o local tocado fica contaminado, apodrece, deixa de produzir algo de útil para a Pátria. Julguei que era apenas uma imagem de que os adversários políticos se serviam para deitar abaixo o PS a nível governamental... mas verifico agora que não é bem assim. Deve haver uma maldição tremenda lançada contra o Partido do Largo do Rato, que já não contamina apenas as cúpulas Socialistas nacionais, mas também as regionais... e Leiria aí está a comprovar. A Leirisport está comandada por alguém que não ama a cidade, que não está na Câmara para servir a cidade... mas para se servir, o nelhor que possa, nem que seja preciso destruír o que ainda resta. Se ele diz que o União de Leiria deve ser varrido da cidade... quando é que se convence que também pode ser varrido, aspirado, sacudido ou o que seja necessário para que o futebol volte a jogar-se no local que Magalhães Pessoa destinou para o efeito.
Vamos a vêr até quando o Povo de Leiria irá permitir que alguém decida por si quem terá de ser varrido da cidade. Estou convicto que lhe será dada resposta, pois está a ser desfeito o trabalho laborioso de uns tantos que gostariam de não ter de sentir ser preciso sujar as mãos porque alguém andou a fazer aquilo que não deve.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

POBRE DE TI, LEIRIA.

Um dia, ainda eu  era criança, houve alguém que assumiu os destinos da cidade, como Presidente da Autarquia, cujo none era Magalhães Pessoa ou Dr. Manuel Magalhães Pessoa. Ele resolveu tomar a iniciativa de construír um Estádio de Futebol ao lado do velhinho campo pelado, que ficaria como campo de treinos do novo recinto.
 Estava-se na década de 60 e aquele Estádio Municipal era o primeiro passo para a criação, nesta zona da Cidade, de um Parque Desportivo.
Em reconhecimento do seu contributo para o desporto no Concelho, o Município de Leiria atribuiu, já no início dos anos 70, o seu nome ao Estádio Municipal.
Hoje... Leiria está  a ferro e fogo. Vem aí uma nova época, nas mantêm-se os velhos hábitos. Naquele que seria o primeiro dia de trabalho da equipa leiriense, a Leirisport, uma empresa municipal que gere o Estádio Dr. Magalhães Pessoa, não permitiu que a   equipa pudesse utilizar o recinto para os habituais exames médicos de início de época.
A polémica, como não poderia deixar de acontecer, voltou a instalar-se.
A Câmara e a empresa municipal Leirisport continuam a reclamar o pagamento de uma dívida de 250 mil euros, correspondente à utilização do estádio pela equipa leiriense durante a época de 2010/2011. Sem a liquidação desta verba, afirma o  vereador do Desporto da autarquia e presidente da Leirisport,  António Martinho, o União não poderá utilizar as instalações
.
«Existe um contrato com uma empresa privada, o União SAD, que chegou ao fim. Terminando esse vínculo de utilização sem o mediante pagamento pouco mais haverá a dizer. Renovação do contrato? Não depende apenas de nós», afirmou o Vereador do Desporto autárquico
O que é verdade é estar autorizada a venda, por 65, 80 ou 100 milhões de Euros, não importa quanto mas sim o acto que se quer praticar. No antigamente da minha vida, aprendi a vêr futebol no velho pelado, onde Ateneu, Marrazes, Lisboa e Marinha, Atlético Marinhense, Sporting de Pombal e tantos outros nos prodigalizavam lições de querer, de desportivismo, de espírito de equipa.
Recorde-se que quando se estava na década de 40...  o distrito estava muito incipiente quanto ao "foot-ball", que não tinha qualquer expressão, ainda que houvesse já uns arremedos no futebol que se praticava em Pombal, na Marinha Grande ou nos Marrazes... mas Leiria deixava muito a desejar, pois nem campo tinha para que o Sporting Clube Leiriense pudesse vir a sonhar com uma equipa verdadeira, uma vez que aquela que tinha apenas fazia jogos particulares, como o amador dos amadores, treinando e jogando na parada do antigo Regimento de Infantaria 7, que outrora existiu junto ao Ria Lis, no que foi o Convento de Santo Agostinho.
Parece que o Partido do Governo (PSD) pretende reverter a venda do já chamado "Elefante Branco" de Leiria. Mas não vai a tempo de evitar que o escândalo se propague. De escândalo em escândalo até ao escândalo final, que será, sem dúvida, o fim de uma equipa e, por arrasto, de um Clube de Futebol que jamais primou pela modéstia de procedimentos, depois que se "apanhou" nas primeiras páginas dos jornais.
Que saudades daquela União que parecia respeitar a história que o Ateneu lhes legou no futebol... tendo por dirigentes pessoas que a amavam  e dela apenas esperavam a senda do êxito para se sentirem felizes. Não era Fernando Mano? Não era Freitas da chapelaria? Não era "alcaide" Basílio? Até ao Bernardino Pimenta... tudo bem, mas depois... depois... pensem um pouco, tá?       

quarta-feira, 8 de junho de 2011

D. DUARTE PIO E O REINO DE PORTUGAL


Não foram reunidas Cortes, não há Fernão Lopes para relatar a crise, não fui constituído advogado de defesa do Senhor D. Duarte Pio de Bragança, primogénito de D. Duarte Nuno de Bragança e de D. Maria Francisca de Orléans e Bragança. A única razão para este escrito é a amizade que o Senhor D. Duarte faz o favor de me dedicar, especialmente depois que com ele privei nos seus tempos de Alferes e Tenente Piloto Aviador da Força Aérea Portuguesa a prestar serviço de soberania em Angola, no Aeródromo Base nº. 3, no Negage.
Conheço um pouco do percurso tido pela Família Bragança, que pela autorização legislativa concedida pela Lei 2040, de 20 de Maio de 1950, regressou a Portugal e foi residir, inicialmente, para uma propriedade dos Condes da Covilhã, passando depois a fazê-lo no Palácio de São Marcos, que lhes foi  parcialmente cedido pela Fundação da Casa de Bragança.
D. Duarte Pio estudou em dois colégios antes de ir para o Colégio Militar, decorria o ano de 1960. Daí saiu para o Instituto Superior de Agronomia, onde obteve a licenciatura em Engenharia Agronómica, fazendo pós graduação no Instituto para o Desenvolvimento da  Universidade de Genebra.
Viu serem reconhecidos os seus direitos ao título e chefia Casa de Bragança, depois de uma disputa judicial, que já vinha dos tempos de seu pai e era protagonizada por Maria Pia de Saxe-Coburgo e Bragança, que se dizia filha ilegítima do Rei D. Carlos I, portanto maia irmã do Rei D. Manuel II.
Mas... parece que alguém vive apostado em continuar a saga da Família Bragança nos tribunais, talvez por inveja, talvez por maldade, talvez por mal aconselhado... o que não acredito, pois não está nenhuma criança no meio de uma questão como aquela que Nuno da Câmara Pereira levou aos tribunais, mas sim uma alegada usurpação de propriedade na "pessoa" da patente da Ordem de São Miguel da Ala, que ele, Nuno da Câmara, registou em seu nome decorria o ano de 1981.
Ora não se entende quem usurpou o quê a quem, se considerado o facto de a Real Irmandade da Ordem de São Miguel da Ala ser uma Associação de Católicos que se rege pelas tradições e símbolos legados pela antiga Ordem de Cavalaria Portuguesa, que tinha dedicação a São Miguel e terá sido fundada pelo Rei D. Afonso Henriques após a tomada de Santarém aos Mouros, que aconteceu no dia 08 de Maio de 1147 - festa de São Miguel do Monte Margano.
No Capítulo XVIII da Crónica de Cister, Frei Bernardo de Brito (1597-1602) escreve que a "Ordem de S.Miguel da Ala" ou "Asa" foi instituída em 1171 por D.Afonso Henriques e seus cavaleiros observavam a "Regra de São Bento", sendo uma das irdens militares de cavalaria sufragâneas da Ordem de Cister de Santa Maria de Alcobaça designado por Prelado.
A Ordem de Cister publicou, em 1630, a primeira Constituição conhecida da Ordem de São Miguel da Ala:
"Constitutiones Militum S.Michaelis sive de Ala"; a Bula Papal de Alexandre III, de 04 de Janeiro de 1177 refere o reconhecimento da "Ordo  Equitum S. Michaelis sive de Ala" e outras ordens portuguesas.   
Posto aquilo que acima é referido, creio que Nuno da Câmara Pereira... aliás (Dom) Nuno Maria Figueiredo Cabral da Camara Pereira, trineto do 3º. Conde de Belmonte, Dom Vasco Maria de Figueiredo Cabral da Camara, pai de seu bisavô Dom Nuno José Severo de Figueiredo Cabral da Camara (Belmonte), Coronel de Cavalaria e Governador de Diu (Índia) e Quelimane (Moçanbique)... deveria repensar maduramente sobre o que afirma na televisão sobre D. Duarte Pio não ser brevetado e  não ter nenhum curso de Engenharia Agrónoma, ao invés dele, que até é brevetado em aviões sem motor e tem o curso de Agronomia, sendo Engenheiro Técnico Agrónomo. Só que Engenheiro Técnico corresponde ao antigo Regente Agrícola. Será o mesmo que dizer que é... Engenheiro Auxiliar
Diz  que registou a patente de algo que não lhe pertencerá, pois não há nenhum documento que lhe conceda a propriedade de algo que tem quase 1.000 anos. Registou algo que não lhe pertencia? Então estamos conversados.
Voltarei a falar da Ordem, porque muito há ainda para dizer sobre a mesma.
O estar a reivindicar 100 mil euros por algo que abusivamente foi usado em proveito próprio, é um pouco baixo demais. O tribunal que deu razão a Nuno da Câmara não deve saber qual a história da Ordem de São Miguel da Ala... penso eu de que...

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!