Com o Teatro D. Maria Pia marcou-se de forma indelével um período áureo da arte de Talma, pois Leiria estava, finalmente, dotada de uma
das melhores salas de espectáculos da província.
Desde há muito que se ouviam protestos da população citadina, que reclamava a inexistência de um teatro que lhes trouxesse alguma modernidade na arte de representar, da música e da poesia... e que ficasse situado num zona capaz de vir a dar uma resposta às aspirações de tantas pessoas, que desesperavam pela temporalidade que estava a ser dada à dignificação de Leiria, pois viam prolongar-se no tempo a dotação de uma sala que lhes permitisse sonhar, representando.
Foi aqui que apareceu aquela mão cheia de gente ilustre, leirienses empenhados em dar resposta às aspirações da sociedade de que eram parte. Foi a vontade de Miguel Joaquim Leitão, devidamente coadjuvado pelo Barão de Salgueiro, Tomás de Aquino Vítor, António Rino Jordão e João Lúcio Lobo, que resolveram dar forma aos sonhos das gentes da cidade do Lis.
Cumpridas as formalidades inerentes àquilo que se pretendia fazer, o novo Teatro foi edificado no campo de D.
Luís, onde hoje é o Largo de largo de Goa, Damão e Dio. Era dotado de uma arquitectura simples,
mas a sala, em ferradura , era iluminada pelos numerosos candelabros que estavam suspensos dos camarotes, que tinham os corrimões forrados a veludo carmesim, os quais lhe emprestavam um requinte incomparável . Era um interior de grande elegância e luxo, tudo feito com enorme bom gosto, sendo o tecto
ornamentado a dourado e o pano de boca lindíssimo, mandado executar em Milão. O
palco era bastante amplo e os camarins espaçosos.
A inauguração foi feita no dia 8 de Dezembro de 1880, tendo sido realizado , na abertura, um deslumbrante espectáculo, integralmente produzido e interpretado por artistas leirienses. Os estatutos do Teatro Dona Maria Pia foram aprovados por alvará emitido pelo Governo Civil de Leiria, em 2 de Julho de 1880.
Tornou-se o Teatro D. Maria num pela excelência da sua acção, num pólo cultural, educacional e beneficente da urbe.
Foram ali aplaudidas as melhores companhias de teatro de então, a partir das suas frisas, camarotes e plateia. Ali actuaram os mais conceituados artistas nacionais e alguns internacionais brilharam no seu palco.
Muitos artistas leirienses levaram ali à cena espectáculos de grande qualidade, mas também se representaram ali algumas boas peças de
autores Leirienses que obtiveram grande sucesso, como foi o caso de Leiria - Marca, Água da Fonte Grande, de
Horácio Eliseu, as operetas Alda e a Condessa Helena, de João Pereira Gomes, autor da letra e José
Zuquete, que musicou, por exemplo.
Hoje, passados os anos sobre a sua demolição, o Teatro de Dona Maria Pia é apenas uma reminiscência do passado, algo que ficou 'quase' perpetuado naquele barracão que foi anos a fio um sinal da degradação a que alguns pretenderam remeter o teatro em Leiria, mas sem sucesso, porque há sempre alguém que está atento... e José Lúcio da Silva foi disso paradigma.










