terça-feira, 26 de março de 2013

RECORDANDO O DONA MARIA PIA



Com o Teatro D. Maria Pia marcou-se de forma indelével um período áureo da arte de Talma, pois Leiria estava, finalmente, dotada de uma das melhores salas de espectáculos  da província.
Desde há muito que se ouviam protestos da população citadina, que reclamava a inexistência de um teatro que lhes trouxesse alguma modernidade na arte de representar, da música e da poesia... e que ficasse situado num zona capaz de vir a dar uma resposta às aspirações de tantas pessoas, que desesperavam pela temporalidade que estava a ser dada à dignificação de Leiria, pois viam prolongar-se no tempo a dotação de uma sala que lhes permitisse sonhar, representando.
Foi aqui que apareceu aquela mão cheia de gente ilustre, leirienses empenhados em dar resposta às aspirações da sociedade de que eram parte. Foi a vontade de Miguel Joaquim Leitão, devidamente coadjuvado pelo Barão de Salgueiro, Tomás de Aquino Vítor, António Rino Jordão e João Lúcio Lobo, que resolveram dar forma aos sonhos das gentes da cidade do Lis.
 
Foi lançada a primeira pedra no dia 3 de Outubro de 1878 .
Cumpridas as formalidades inerentes àquilo que se pretendia fazer, o novo Teatro foi edificado no campo de D. Luís, onde hoje é o Largo de largo de Goa, Damão e Dio. Era dotado de uma  arquitectura simples, mas a sala, em ferradura , era iluminada pelos numerosos candelabros que estavam suspensos dos camarotes, que tinham os corrimões forrados a veludo carmesim, os quais lhe emprestavam um  requinte incomparável . Era um  interior de  grande elegância e  luxo, tudo feito com enorme bom gosto, sendo o tecto ornamentado a dourado e o pano de boca lindíssimo, mandado executar  em Milão. O palco era bastante amplo e os camarins espaçosos.


 A  inauguração foi feita no dia 8 de Dezembro de 1880, tendo sido realizado , na abertura, um deslumbrante espectáculo,  integralmente produzido e interpretado por artistas leirienses. Os estatutos do Teatro Dona Maria Pia foram aprovados por alvará emitido pelo Governo Civil de Leiria, em 2 de Julho de 1880.
Tornou-se o Teatro D. Maria num pela  excelência da sua acção, num pólo cultural, educacional e beneficente da urbe.
Foram ali aplaudidas as melhores companhias de teatro de então, a partir das suas  frisas, camarotes e plateia. Ali actuaram os mais conceituados artistas nacionais e alguns internacionais brilharam no seu palco.
 
Muitos artistas leirienses levaram ali à cena espectáculos de grande qualidade, mas também se representaram ali algumas boas peças de autores Leirienses  que obtiveram  grande sucesso, como foi o caso de Leiria - Marca, Água da Fonte Grande, de Horácio Eliseu, as operetas Alda e a Condessa Helena, de João Pereira Gomes, autor da letra e  José Zuquete, que musicou, por exemplo.
Hoje, passados os anos sobre a sua demolição, o Teatro de Dona Maria Pia é apenas uma reminiscência do passado, algo que ficou 'quase' perpetuado naquele barracão que foi anos a fio um sinal da degradação a que alguns pretenderam remeter o teatro em Leiria, mas sem sucesso, porque há sempre alguém que está atento... e José Lúcio da Silva foi disso paradigma.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

CARNAVAL? ENTRUDO? QUE É ISSO?

Toda a Europa Comunitária, e talvez as cercanias, gostariam de mamar, de ter muitas mordomias!
Seja a porca da Alemanha, da França ou de Bruxelas, mas todos querem mamar numas maminhas tão belas!
Só que o pobre Portugal, pequenino e enfezado, não sabe mamar e é fatal: É logo posto de lado!
Vejo tantas mordomias, tanta vontade de nos tramar não só hoje, mas todos os dias, pois isso é que está a dar!
Eles dão tiros no pé, mas ficam sempre a sorrir, é exemplo o Carnaval,  que põe o País a... dormir!

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

PREITO DE HOMENAGEM


SAUDADES DE MINHA MÃE

Minha Mãe
concebeste- me por amor ,
E sempre me protegestes tão bem
desde o dia em que nasci...
...eu era o teu menino
dizias tu, satisfeita,
pois não vias no mundo
uma criança mais perfeita.
Querias conduzir-me pela vida,
levar-me sempre pela mão,
para a escola, para o jardim...
...tinhas tanto amor no coração
para os meus irmão e para mim,
a tua mais nova paixão!

Deste-me exemplos de humildade,
de como se ama um irmão;
Pois será sempre deles, na verdade,
uma parte do teu coração.
Respeito pelo próximo, solidariedade,
verdade, honestidade e paciência,
espalhando pelo mundo a paz e caridade...
valores que não precisam de ciência!...

Saudade é o que sinto por ti, Mãe…
...partistes há tantos anos... 62...
...não morrestes em mim, mas porém,
nada foi igual para mim, depois!
Na saudade que em mim ficou
parece ter-te sempre não presente
e que nenhum anjo te levou...
sinto que me olhas tão docemente
e o carinhos e afagos teus redobrou
porque te amo, óh Mãe, hoje e sempre,
mesmo depois do tempo que passou...
E sei que nunca estivestes ausente
nos dias em que a saudade apertou!

 
Poema de Victor Elias
nos 62 anos da morte daMãe

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

NOVO ANO... ANO VELHO...


Com a chegada de mais um ano, completam-se dois mil e doze jogadas no xadrez da vida, sem que tenha soado a hora do xeque-mate para a esperança, que sempre vai seguindo em cada pedra que é mudada... em cada noite de São Silvestre que passa.
No Ano Novo renovam-se os desejos de que 'para o ano é que vai ser'... nem que seja apenas o desejo de que o clube da nossa simpatia venha a ostentar as tradicionais faixas de campeão de qualquer coisa, porque o que interessa é ser o melhor, seja lá no que possa ser. No Ano Novo dizem-se muitas coisas bonitas, há muitas promessas que se fazem, muitos propósitos de mudança, seja lá para o que possa ser, mil e uma intenções de ser alguém diferente, mais confiável, mais solidário, mais benemerente, mais tolerante, mais amável, mais alegre, mais tudo o que se possa imaginar, porque vai passando de um para o outro ano e mudanças... só as do carro, se não estiverem avariadas, claro!
Do Ano Velho muito há para contar, mas recordar tristezas não será a coisa mais 'feliz' de se fazer. Fica um cotejo de atitudes menos dignas vindas de quem devia 'mandar', mas parece que Portugal só tem no (des)Governo quem saiba conjugar o verbo 'subtraír' e as palavras mais escritas/ditas foram 'CRISE', 'DESEMPREGO', 'FOME'  e 'IMPOSTOS', vá-se lá saber porquê.
Infelizmente sabemos que alguns destes 'títulos' vão chegar ao Ano Novo e até se fala na hipótese de um 'crescimento', porque os nossos (des)Governantes ainda não conseguiram arranjar uma solução que não passe por colocarem os mais desafortunados a pagar a factura daquilo que é dado aos mais protegidos pela fortuna.
Infelizmente não podemos ter o prazer de dizer a cada um dos nossos Amigos FELIZ ANO NOVO, porque a felicidade é algo de muito raro na nossa sociedade, por falta de AMOR, VERDADE, SOLIDARIEDADE, TRABALHO, SAÚDE, JUSTIÇA... e tudo o mais que seja negado ao Homem todo!  
 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

MAIS UMA VEZ A ESPERANÇA... É NATAL!

Nestes tempos em que esperamos, ávidos, a vinda do Salvador, Jesus Cristo, façamos da esperança um factor de FÉ, e de CARIDADE, dando àquele que nos é próximo a prenda de um SORRISO!

sábado, 1 de dezembro de 2012

DIA DA INDEPENDÊNCIA

No dia 1 de Dezembro de 1640, terminava um nefasto período de 60 anos em que o Reino de Portugal se viu governado pela Coroa espanhola da dinastia de origem austríaca dos Habsburgos. Depois de 60 anos de ocupação castelhana, veio o fim do reinado de D.Filipe III (conhecido como Felipe IV de Espanha).
Terminava a dinastia que ficou conhecida como 'Filipina' em virtude de todos os monarcas que a constituiram se chamarem Filipe.
Quando na batalha de Alcácer Quibir, em 1578, o jovem Rei D. Sebastião foi derrotado pelas forças mouras que se lhe opunham, Portugal ficou sem rei nem sequer sucessor ao trono, que foi ocupado, durante dois anos, pelo seu tio-avô, o chamado Cardeal-Rei D. Henrique.
No entanto havia os  direitos de Filipe-II de Castela (o monarca Habsburgo era primo de D. Sebastião e portanto neto de D. João III) por um lado e o seu dinheiro por outro, que levaram a que grande parte da nobreza portuguesa aceitasse o domínio de um rei estrangeiro.
 A monarquia dos Habsburgo controlava inúmeros estados, todos eles separados entre si e Portugal não era diferente da Catalunha, da Flandres, de Castela, de Navarra, de Nápoles ou de Valência, mas cada um desses países era independente dos outros.
A monarquia dos Habsburgo, era provavelmente mais parecida com uma União 'Monárquica' Europeia, do que com um país, mas essa completa separação de estados 'ligados' uns aos outros por frágeis 'linhas de alinhavar', era considerada como o calcanhar de Aquiles da monarquia, acabando por ser a principal razão da sua decadência.
Pretendendo evitar a fricção continua existente entre os vários reinos, principados, e regiões, a solução encontrada passava pela submissão de todos a um único rei detentor de um governo único, levando a que fosse imposta uma politica de administração central que conflituava com os direitos que haviam sido jurados pelo monarca em cada um dos reinos da coroa.
É assim que, no caso português, nas corte de Tomar realizadas em 1581, D. Filipe I, (Felipe-II em Castela) prestou juramento como rei de Portugal, mas o neto, Filipe-III (Felipe-IV de Castela) fez letra morta dos juramento do seu avô, levando a que, jurídicamente, a violação do juramento feito por Filipe I, em 1581, nas cortes de Tomat, Filipe III houvesse perdido legitimidade para governar Portugal, pois essa mesma legitimidade dependia do cumprimento das obrigações a que estava obrigado por juramento.
Mal desponta o dia 1 de Dezembro de 1640, cerca de 40 nobres portugueses, conhecidos por "conjurados", entram no palácio real do Paço da Ribeira e rápidamente submetem a guarda. Procuram o secretário de estado Miguel de Vasconcelos, que executam, e obrigam pela força a duquesa de Mântua, no cargo de Vice-Rei, a ordenar a rendição das forças castelhanas acantonadas no castelo de São Jorge e nas fortalezas que defendem o rio Tejo.
 
Conduzida e executada pela nobreza portuguesa, a revolução teve aceitação total. Em todo o país, mal foi conhecida a boa nova da destituição da duquesa e do fim do domínio dos Habsburgos, há movimentações de regozijo. Várias cidades do país declaram o seu apoio a D. João IV.
O duque de Bragança chega a Lisboa no dia 6 de Dezembro para ser aclamado rei. Nas duas semanas que se seguem, todo o país, nobres e municípios, se declara apoiante de D. João IV.
A revolta acontecida em Portugal, no 1º. dia de Dezembro de 1640, deu ao Povo português a noção daquilo que vale a sua independência, não acreditando eu que uma qualquer 'tróika' de cariz económico, que quer vencer Portugal de forma aviltante, utilizando o poder do dinheiro para tentar subjugar a nossa vontade, terá de ser a resposta contínua aos que de fora nos querem impôr regras atentatórias da nossa liberdade.
O Governo português, fiel depositário dos desejos de 'ocupação' das nossas consciências por parte das 'tróikas' que nos vão angustiando, parece querer vencer os Portugueses pela destruição dos valores pátrios mais queridos, cortando o feriado do Dia da Independência!
Mas os Portugueses não desarmam e continuam a gritar: "ARRAIAL... ARRAIAL... ARRAIAL POR SANTA MARIA,  D. NUNO, PELO POVO E INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL!". 

sábado, 17 de novembro de 2012

ATÉ QUANDO, LEIRIA?


Nesta fotografia há dois ex-libris da cidade bem visiveis, pois o terceiro apenas nos é sugerido pela esquina bem à direita na foto. Desculpem aqueles que me lêem, mas estou a induzir-vos em erro, porque ex-libris podem ser o edifício da antiga Associação de Futebol de Leiria ou o edifício onde funcionou a oficina de bicicletas e motorizadas do saudoso 'Sr. Afonso das Bicicletas'. É uma tristeza alguém aceder à 'net' e encontrar fotografias a comprovarem o desleixo demonstrado por uma certa maneira de ser e estar como autarca , que veio deixar a cidade num estado caótico em termos de 'zona histórica', porquanto apenas se mostrou 'obra feita' na extensão de Leiria para além dos seus Arrabaldes.
  
A Rua Barão de Viamonte, a velhinha 'Rua Direita', precisa mesmo de uma intervenção cuidada e capaz de lhe devolver alguma da dignidade que em tempos ostentou.
Morava eu na Rua Alfredo Keil nos meus tempos de criança. Quando saía a porta de casa tinha duas opções: Subia as escadinhas de Santo Estevão, que se iniciavam à porta de casa, ou descia a Travessa da Paz e estava no Terreiro. Aliás, era este o meu caminho para a catequese, com paragem frente à montra da Mercantil do Sr. Marcelino, para vêr as guloseimas que ele lá expunha, sei lá se para provocar a garotada ou levar os seminaristas, que ali passavam para a Missa do meio dia, a experimentarem a tentação da gula.
No regresso a casa, ficava um bocado na Congregação Mariana, mesmo ao lado da loja que o senhor Bandeira tinha no edifício do 'Correio Velho', onde funcionou a Protecção às Raparigas. 
Entrei algumas vezes neste prédio, onde morava o João Ruano dos plásticos ou o Inspector Escolar, Professor Guerra e sua esposa, a Professora Dona Teresa, além de outras pessoas amigas e conhecidas, algumas delas meus companheiros de escola. No piso térreo funcionava a Sociedade de Paralelipípedos do Sul e os escritórios da Vinícola da família Marques da Cruz.
 
A casa do Hingá e da Tipografia do Carlos Silva ou a Rua da Vitória... não mereceriam uma intervenção que as fizesse merecerem situar-se num local que até deveria ser cartão de visita, como é o Largo da Sé?
Estou em crêr que dentro em pouco teremos uma Leiria totalmente renovada... mas muitos dos que a viram caída aos bocados, como se o fosse em desgraça, nunca deixarão de comentar que alguém deixou a cidade de rastos... e isso dói.
 
A Farmácia Lino até ficou bonita, não acham? Julgo que será o caminho certo para recuperar esta nossa Leiria... mas sabemos bem que a Câmara não tem dinheiro! Acontece que um pouco hoje e outro amanhã... talvez permita restituír a Leiria um pouco daquilo que perdeu nos últimos anos!

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!