Aqui há dias, num solilóquio que me foi dado protagonizar, perguntei-me com veemência sobre aquilo que foi, é e poderá ser o PORVIR da minha cidade, que vem tendo, ao longo das décadas, pessoas que procuram manter-lhe o estatuto de 'Princesa do Lis', de refúgio preferido das 'Mouras encantadas' de que nos falam as lendas... e alguns cantares que lhe são dedicados.
Nesse falar comigo próprio encontrei algumas, mas não todas as respostas, porque numa conversa mais profunda tida com o 'Espírito do Castelo', vim a aperceber-me que a desilusão entre as 'Musas do Lis' é tremenda, porque alguns dos que dizem amar Leiria tudo têm feito para demonstrar precisamente o contrário, pois deixar o Centro Histórico atingir uma degradação que apenas prenuncia a utilização do camartelo, leva a que tantas memórias sejam varridas das páginas escritas de uma cidade que tantas glórias conheceu.
Leiria nasceu moura, tornou-se cristã, voltou à mourama, voltou à cristandade... até que, nos dias de hoje, ninguém poderá afirmar que esteja empenhada em qualquer uma destas correntes de enriquecimento espiritual. Talvez seja uma cidade que se tornou indefinida religiosamente e não sendo católica, protestante, ortodoxa ou agnóstica, é sem qualquer dúvida portuguesa e bairrista.
Com a morte do velho 'Alcaide do Castelo de Leiria', Basílio, mais uma figura emblemática deixou de constar no rol dos amantes da cidade... e não vejo grandes hipóteses de substituição desta figura maior de uma cidade que vai perdendo a voz nas vozes daqueles que a enalteceram e 'se vão da lei da morte libertando'.
O diálogo travado comigo mesmo diz-me haver grandes figuras que são marca indelével da cidade, algumas cujo passado é orgulho de Leiria pelo muito que lhe deram e por tanto que a amaram, mas também há quem nada tenha feito senão usá-la como um objecto descartável... e assim desapareceu a Praça de Touros de Leiria, o Teatro Dona Maria Pia, o Convento dos Capuchos, que foi Hospital Militar da cidade, a Fonte Quente, Hotel Lis e tantas outras memórias, que não ficaram para mostrar uma Leiria nascida no Castelo, que se libertou do abraço das muralhas e veio debruçar-se sobre o leito do Lis.
Acordei do meu solilóquio, do meu sonho em que não vi mouras encantadas, mas uma cidade que me encanta não apenas porque nela nasci, brinquei e sonhei o amanhã... que a realidade da vida me pretendeu negar, poia vida pode significar o espaço de tempo decorrido entre o momento da concepção e a morte, que tanto poderá ser de um ente como de um organismo, ou um fenómeno que anima a matéria.
Para ter vida, o ser vivo precisa de crescer, metabolizar, movimentar-se, reproduzir-se ou não e responder a estímulos externos.
Afinal... falar comigo próprio até é um bom exercício... e Leiria bem merece que se vá pensando nela.
Acordei do meu solilóquio, do meu sonho em que não vi mouras encantadas, mas uma cidade que me encanta não apenas porque nela nasci, brinquei e sonhei o amanhã... que a realidade da vida me pretendeu negar, poia vida pode significar o espaço de tempo decorrido entre o momento da concepção e a morte, que tanto poderá ser de um ente como de um organismo, ou um fenómeno que anima a matéria.
Para ter vida, o ser vivo precisa de crescer, metabolizar, movimentar-se, reproduzir-se ou não e responder a estímulos externos.
Afinal... falar comigo próprio até é um bom exercício... e Leiria bem merece que se vá pensando nela.










.jpg)




.jpg)
