sábado, 26 de outubro de 2013

A MEMÓRIA DAS COISAS

Quando era miúdo, aí por volta da minha 3ª. Classe na Escola de Santo Estevão, tive oportunidade de assistir a esta extraordinária corrida de bicicletas motorizadas, onde participaram  muitas 'máquinas' de grande qualidade competitiva,  podendo-se apreciar as 'Alma', as  'Cucciolo', as  'Pirotta', as 'Ardito', as 'Alpino' e  algumas outras... mas as bicicletas motorizadas 'Cucciolo' conseguiram  dominar a corrida do princípio ao fim.
 
Não esqueci nunca esta corrida a que assisti, sentado no Café Colonial, pois está provado que as pessoas de Leiria também seguiam a modernidade... mesmo que não fosse, de todo, o tipo de acontecimento que a cidade mais apreciava, além de que se faziam as coisas, tinham êxito no que faziam... mas eram para arrumar na prateleira dos eventos passados.
Bastará recordar o que aconteceu com a Praça de Touros... com o Coreto do Jardim... com o Teatro Dona Maria Pia... e tantas outras coisas que foram arrumadas na mala do tempo,  para que  não se  desse cabo da memória das mesmas.
Mas... felizmente ainda vai havendo memória .

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

RECORDANDO O PADRE LACERDA

Segundo aprendemos na história, depois de autores como Fernão Lopes (Crónicas de el-rei D. João I - Aljubarrota) ou Almeida Garrett (Viagens na minha terra ), o jornalista de guerra português primeiro Hermano Neves descreveu, nas páginas do jornal 'A Capital', todo o conflito que opunha os monárquicos chefiados por Paiva Couceiro, aos republicanos  recém-chegados ao poder, por força da implantação da República ocorrida em 5 de Outubro de 1910.
Mais tarde, o mesmo jornal pretendeu enviar o jornalista H.Neves às frentes de batalha da Grande Guerra, em França, mas as autoridades daquele país impediram-no de o fazer, pelo que foi o director do jornal 'O Século', Silva Graça,  que se encarregou de  redigir a primeira crónica da I Guerra Mundial, perto de Ormont, França,  publicada naquele jornal a 18 de Julho de 1915.
Este jornalista acabou por viveu o dia-a-dia das trincheiras, durante quase dois anos, gozando de uma relativa liberdade para fazer os relatos do horror dos bombardeamentos e do genocídio, feito na lama, de tantos milhares de soldados cujas vidas eras ceifadas por rajadas de metralhadora ou pela sufocação provocada pelo gás.  Portugal participou no conflito apenas para satisfação do ego de alguns generais e políticos, que pareciam vampiros sedentos de sangue. E não respeitou sequer os conselhos dos Aliados, acabando por impor, de imediato, uma férrea censura a tudo o que era publicado.
É aqui que vai aparecer o Padre José Ferreira de Lacerda, leiriense  de garra, o “sacerdote jornalista”, como lhe chamou Joaquim Santos,  na sua tese de mestrado José Ferreira de Lacerda, o sacerdote jornalista – A Crónica sobre a Grande Guerra no Jornalismo Leiriense, onde se debruça sobre o fundador do jornal 'O Mensageiro' e autor de algumas crónicas sobre a Grande Guerra.
Nesses artigos, o Pe. Lacerda falou de alguns episódios ocorridos entre a sua partida para França - a 2 de Maio de 1917 - e descreveu todo o negro cenário  da guerra. “As crónicas que o sacerdote-jornalista escreveu são testemunhos documentais de extrema importância”, sublinha Joaquim Santos.
José Ferreira de Lacerda nasceu no dia 23 de Abril de 1881, na freguesia de Monte Real .
Foi considerado como uma figura polémica, mesmo nos meios eclesiásticos, mas isso não o impediu de ser um homem de causas, verdadeiro cidadão, político, foi  cónego, jornalista... e benemérito da cidade de Leiria.
Nas suas crónicas de guerra, o padre Lacerda acabou por introduzir no jornalismo leiriense qualquer coisa  mais que um espaço de debate político e ideológico, pois veio actualizar a noção de que o acontecimento jornalístico tem uma natureza especial.  Sabendo que não bastaria ser apenas sacerdote, apoiante moral das tropas ou fazendo o culto aos mortos, foi um pouco mais longe e assumiu a função de correspondente de guerra.
As crónicas eram descritivas dos acontecimentos bélicos, com pormenores impressionantes, vividos na primeira pessoa, no risco da proximidade das bombas a cair e da morte. As suas narrativas também foram apelativas à movimentação da sociedade leiriense, com o objectivo claro de ajudar os soldados que passaram por momentos extremos da resistência humana”, explica J.Santos.
O Pe. José Lacerda chegou à capital francesa no dia  9 de Maio de 1917 e seguiu para a zona da Flandres, dado ser destinado a Calais. Daí, dirige-se para Aire-Sur-La-Lys, onde o Regimento de Infantaria n.º 7, de Leiria, lutava, em inferioridade, contra os alemães, não se esquecendo de ir tomando notas para publicar no seu 'O Mensageiro'.
Escreve, em letra bela e cuidada, o contraste entre a fome, a miséria nas ruas, o sangue, as entranhas e o enorme caos da guerra.
Quase entramos nos espaços da acção, com uma descrição arrepiante dos acontecimentos mas também de pormenores de circunstância, vividos fora das trincheiras. Os seus relatos falam das muitas mulheres vestidas de preto que encontrava pelo caminho, ou que via no comboio.
Mães que perdiam os seus filhos, mulheres que estavam viúvas e em grande pranto, crianças abandonadas e com a falta dos seus pais. José Lacerda trouxe às suas crónicas os apontamentos da guerra mas também dos seus efeitos”, escreveu Joaquim Santos.


"Padre José Ferreira de Lacerda, Alferes capelão-militar de Artilharia 7
Os alimões teem estado danados hontem e hoje. Não cessam de atirar ameixas. Esta carta é feita sentindo-as passar por cima da casa que habito.
Estão a bombardear uma fábrica. Os marotos atiram-lhes a mais de 5 quilometros e quasi lhes acertam. Se ouvisse o assobiar das granadas devia gostar, mas o pior são os efeitos… Hontem os alimões não me deixaram dizer missa. São danados!... (…) Olhe: lá vai uma esquadrilha de aeroplanos e ouve-se a metralhadora cujo som me faz lembrar os sapos em noite quente ou as rãs. O canhão, é claro, não cesse de troar. Vou ver se lhe envio recordações do bombardeiro de 19 e 20. Veja um prove home com um estilhaço daqueles na cabeça onde ia parar!... Quasi servem para esferas. Ando fino; o peior é a lama porque chove e não há lama mais pegajosa do que esta.
Até me custa sair á rua. Tinha tanta coisa que dizer, mas… Se visse os soldados escocezes com saias curtas e pernas à mostra, ria-se a perder.
Dentro de poucos dias devo ir ver a rapaziada de Leiria. Continúo em artilharia 7, que é a jóia dos regimentos em soldados e oficiaes. (…) Daqui a pouco os boches são capazes de nos cumprimentar com os gazes asfixiantes, repetindo as proezas das noutes anteriores. Temos de dormir de mascara ao pescoço.
Peço, diga, a quem por mim perguntar, que estou fino.”
.
O Cónego José Ferreira de Lacerda morreu no seu posto, no Santuário do Senhor Jesus dos Milagres, que tanto amava, no dia 20 de Setembro de 1971, durante as Festas da localidade. 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

LEIRIA NA PALETA DO ARTISTA

ARNALDO BARATEIRO É UM ARTISTA PLÁSTICO DE MÃO CHEIA! 
NA SUA PALETA MÁGICA, O PINCEL VAI  RECOLHENDO AS CORES COM QUE  VAI PINTANDO O RETRATO DE UMA CIDADE QUE AMA,  E AS 'CORES DE LEIRIA'  TÊM DIVULGADO UMA INVULGAR CAPACIDADE PARA REPRODUZIR NA TELA  PARTE IMPORTANTE  DE UMA CIDADE QUE  SE FOI DEGRADANDO, AO LONGO DOS ANOS... CHEGANDO  ALGUM ACERVO HISTÓRICO A SER  SACRIFICADO AO PESO DO  CAMARTELO,  QUANDO ALGUMAS PERSONALIDADES TEIMAM EM NÃO SENTIR A CIDADE.
O QUE ME FOI DADO VÊR NA MOSTRA QUE O ARTISTA PATENTEOU ÀS PESSOAS INTERESSADAS EM RECORDAR A LEIRIA DE OUTROS TEMPOS, E NÃO SÓ, FOI IMPULSIONADOR QUE ME LEVOU  A PEDIR PERSEVERANÇA AO NOSSO PINTOR DO REALISMO DE UMA CIDADE QUE TEM NELE, ALFREDO BARATEIRO,  ALGUÉM CAPAZ DE DAR AOS VINDOUROS A IMAGEM DE UMA CIDADE QUE TEIMA EM SE MOSTRAR VIVA E ATRAENTE, COM 'POLIS' OU SEM 'POLIS', PORQUE OS LEIRIENSES TAMBÉM MERECEM  AS COISAS BOAS DA VIDA.
 
ESTAS DUAS TELAS SÃO MUITO IMPORTANTES PARA A MEMÓRIA QUE EU E O PINTOR TEMOS DA CIDADE ONDE NOS FIZEMOS 'GENTE CRESCIDA'.
UMA E OUTRA REPRESENTAM AS RUAS DA NOSSA MENINICE...  QUE  SÓ O ARTISTA CONSEGUIU TER A SENSIBILIDADE SUFICIENTE PARA AS REPRODUZIR PARA A POSTERIORIDADE.
NA EXPOSIÇÃO REALIZADA NO CINE TEATRO JOSÉ LÚCIO DA SILVA, ARNALDO BARATEIRO MOSTROU TODA A MAGNIFICÊNCIA DO SEU TRABALHO, ESPERANDO-SE QUE OS LEIRIENSES TENHAM SABIDO CONTEMPLAR A EXTRAORDINÁRIA OBRA PICTÓRICA APRESENTADA DURANTE A ÚLTIMA QUINZENA DESTE MÊS, POIS  APRESENTA ÓLEOS QUE  DEFINEM  ESTE ARTISTA TÃO COMPLETO QUE HONRA A CIDADE DE LEIRIA E A PINTURA EM GERAL!
PARABÉNS, ARNALDO, E OBRIGADO!

sábado, 7 de setembro de 2013

EXPOSIÇÃO DE PINTURA

Quando vejo um Amigo, que foi meu companheiro de brincadeiras ainda menino, cúmplice nas mil e uma tropelias que se faziam naquela Rua D. Afonso Henriques, jogando caricas, berlindes ou pião, um Amigo com quem se trocavam os jogadores repetidos dos caramelos da bola comprados no quiosque do Sr. Maurício ou em qualquer outro lado onde os vendessem, pegar no pincel e na paleta e transmitir para a tela toda a beleza da cidade que o albergou durante tantos anos, depois que veio da sua Calvaria natal... como se me alegra o coração, pois o Arnaldo Alfredo Calado Barateiro é hoje um Leiriense de que todos os filhos de Leiria se deverão orgulhar!
Obrigado, Arnaldo, pelo testemunho que dás da cidade do Lis.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

BEM PREGA O MAROCAS


Não sei se alguém recorda as inacreditáveis pressões e ameaças feitas aqui há uns tempitos pelo Pai da 'Palhaçocracia', Mário Soares, contra o ingénuo Tó Zé Seguro, o inseguro secretário-geral do PS.

Lembrei-me logo daquilo que o mesmo senhor 'Bochechas' afirmou, quando andava a negociar um inimaginável (ao tempo) acordo de coligação governamental com os Democratas Cristãos, pois ele, na altura, precisava de uma bengala onde se apoiar... como hoje acontece, sem que ele se aperceba.

Houve imensas críticas a tal atitude do 'Marocas', e a maior parte delas vinham do próprio partido do Largo do Rato, mas ele lá foi resistindo e defendendo que apenas se limitava a defender os interesses nacionais.
 
 

Mas quero chamar a atenção, sobretudo àqueles que em 1978 não tinham ainda nascido... ou eram apenas adolescentes, que por essas alturas o CDS era desconsiderado por toda a esquerda (e por muitos sectores do próprio PS), dele dizendo ser um partido “fascista”, pois não era como o CDS de hoje, que se pode considerar já um partido democraticamente consagrado e respeitado pelos seus pares.

Estava-se a formar o II Governo Constitucional, que teria como Primeiro Ministro o Dr. Mário Soares e que iria integrar três ministros do CDS, o que deixava muito boa gente de boca à banda, perguntando-se como era isto possível, dados os antecedentes de 'guerrilha' institucional entre os dois partidos. 

Mas hoje, para que não desabituem dos remoques e injeções venenosas do homem da Fundação Mário Soares, continua a ameaçar Seguro com uma cisão no Partido Socialista, se o líder do PS negociasse com os partidos da coligação governamental um 'compromisso de salvação nacional', proposto pelo Presidente da República..

Não era sequer uma coligação de governo e nem impedia a realização de actos eleitorais antecipados, próximos ou futuros, que o Mário Soares vinha exigindo quotidianamente. Era apenas e tão só um acordo que permitiria cumprir as obrigações de Portugal para com os seus credores, obrigações essas subscritas pelo próprio Partido do Marinho.

Em 1978, Soares apelou ao interesse nacional, para defender o seu Governo. Hoje é-lhe indiferente o interesse nacional, pois apenas deseja que o PS esqueça tudo e se fixe apenas na conquista do 'tacho' de São Bento, não olhando a meios para o conseguir.

Pobre País, que está entregue aos vícios de um velho gagá, de um bando de sanguessugas que usam a teoria do moinho de vento como forma de estar na política.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

NOSSA SENHORA DA ENCARNAÇÃO, ora pro nobis

Algures no tempo, dizia-se que Deus morrera, que a religião era o ópio do Povo, que Cristo era um comunista, que Nossa Senhora não passara de mais uma Maria  como tantas outras e que até a Bíblia era fértil em indicar os nomes de Maria de Magdala, Maria, irmã de Marta e de Lázaro, Maria, mãe de Tiago e de José, além do de Maria, a Mãe de Jesus.
De criança fui habituado a saber como encontrar o ponto de união entre a Verdade e a Fé, a doutrina cristã e o arrazoado tão próprio das 'guerrilhas' entre a oposição e o regime então vigente, porque tinha uma família que aceitava e respeitava os ensinamentos da Santa Madre Igreja, mesmo que me fossem ensinando a saber reconhecer os pregadores que do púlpito faziam acreditar num  Deus que se fazia presente no Sacrário, feito Pão da Vida,  na Natureza, no amor entre todas as gentes, sem distinção de cor, credo, categoria social, pois Deus era a Primeira Pessoa de uma Trindade Santíssima onde a Primeira Pessoa era o Pai,  o Deus criador do céu e da terra ; a Segunda Pessoa era o Filho,  o Deus que Redimiu e Salvou a Humanidade; a Terceira Pessoa era o Espírito Santo, o Deus que Santifica.
Também desde pequenino subi o Escadório monumental que me levava ao Santuário de Nossa Senhora da Encarnação, cuja Festa hoje se comemora em Leiria. Eram momentos extraordinários de devoção à Virgem Padroeira da cidade, a par do lazer que se imagina, pois o arraial puxava mesmo ao bater do pé... e a pouca idade não via nada de pecaminoso no bailar com alegria, em honra da Mãe do Céu... que até lá estava perto, pela altura do monte. 
A Imagem sempre foi objecto de veneração e respeito... mesmo que o Antigo Testamento as tenha proibido textualmente, quando diz: "...NÃO TERÁS OUTROS DEUSES ALÉM DE MIM. NÃO FARÁS PARA TI IMAGENS ESCULPIDAS, NEM FIGURA ALGUMA DO QUE HÁ NOS CÉUS, OU DO QUE EXISTE EM BAIXO  NA TERRA, NEM DEBAIXO DAS ÁGUAS POR DEBAIXO DA TERRA. NÃO TE CURVARÁS DIANTE DELAS, NEM AS SERVIRÁS, PORQUE EU, O SENHOR TEU DEUS, SOU DEUS CIOSO, QUE PUNE A INIQUIDADE DOS PAIS NOS FILHOS ATÉ À TERCEIRA E QUARTA GERAÇÕES DAQUELES QUE ME OFENDEM...."
Quantas vezes ouvi no Santuário Mariano de Leiria proclamar a ira de Deus para os pecados do Homem? Quantas vezes eu, criança, ali rezei o Terço a pedia à Virgem a Paz para o Mundo? Recordo aquele momento em que Portugal se prostrou de joelhos, o Terço com as cores dos 5 Continentes, sendo cada mistério rezado pelas intenções das pessoas de lá.

Muita coisa está mudada, mesmo que continue a ser necessário rezar pelo mundo em convulsão, para não falar da crise que se abateu sobre parte da Europa, muito especialmente de Portugal.
Não sei até que ponto a Fé dos Homens os poderá levar a proclamá-la com veemência, a ser testemunho vivo do que pode a Oração ditada com verdade e dirigida à Padroeira de Leiria, que não deixará de dar aquela 'forcinha' sempre necessária para ter confiança no porvir!
Nesta festividade de Nossa Senhora da Encarnação, que Ela interceda por nós junto do Pai! 

domingo, 4 de agosto de 2013

AS FESTAS DA SENHORA DA ENCARNAÇÃO

"...do alto do escadório monumental do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação,
desde sempre vimos uma cidade em mudança, crescendo, pulsando..."

Quando a data da Festa de Nossa Senhora da Encarnação se aproxima, toda uma memória das coisas de antanho se torna presente, pois sempre eram as festas da Padroeira da minha cidade.
Provável será muitos não recordarem os sermões do Padre Vieira da Rosa ou do Padre Perdigão, que o Capelão do Santuário, o tão lembrado Padre Pires, que tinha a seu cargo o pastoreio dos doentes do Hospital D. Manuel de Aguiar, as ovelhinhas da Igreja de Santo Agostinho, o aludido Santuário da Padroeira da cidade e ainda as celebrações litúrgicas  do Cemitério da cidade, não tinha tempo para se coçar, supõe-se.
Pelo púlpito do Santuário passaram grandes pregadores, seculares ou dos Franciscanos, que foram de algum modo importantes no colocar no coração dos devotos da Virgem o sentimento filial para com a Mãe de Deus e dos Homens.
 
Depois de uma semana de preparação para o grande dia, o povo começa a afluir ao Largo de Santo Agostinho, por aquele tempo chamado de 'Infantaria 7', onde já se começaram a instalar as vendedeiras de fogaças, cavacas das Caldas, passas de figo e romãs, nozes e 'enfiadas' de pinhões, tremoços, pevides, pão do Arrabal ou melões e melancias.
Junto à Praça de Touros há tendas de comes e bebes, camionetas a vender melão, o Neto dos barquilhos ou bolacha americana, a Dina retratista, sempre oportuna para bater as suas chapas, o célebre propagandista da banha da cobra, o homem dos moinhos de papel, que são a alegria da miudagem, o Luciano dos sorvetes, os putos a vender pirolitos aos comensais que se espalharam pela encosta acima, toalha no chão e os pratos com o frango de churrasco, o coelho frito, os pastelinhos de bacalhau e os croquetes, o pão de milho muito amarelinho, o garrafão do melhor vinho que se possa imaginar, pois foi da colheita do ano passado e é divinal.   
 
Lá em cima há música, muita música, pois as Filarmónicas dos Pousos e das Cortes dão concerto, até que chegue a  hora de acompanharem a procissão que levará a imagem da Virgem à Igreja de Santo Agostinho, de onde, após uma celebração Mariana, a Virgem regressará ao seu Santuário.
O resto do dia será de alegria, mais parecendo que a Feira voltou à cidade. Há robertos, a cabrinha equilibrista , o homem que engole fogo, as cantadeiras ambulantes, que cantam acompanhadas pelo guitarrista cego e vendem letras de velhas canções, foguetes a estalejar, animação quanto baste, porque para tristeza basta a que o dia-a-dia nos vai proporcionando.
No dia 15 de Agosto, vamos todos honrar Nossa Senhora da Encarnação. 

NO MUNDO ASSIM...

NO MUNDO  ASSIM...
era bom viver nesta terra... bonita!